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Reserva Natural Vale: modelo de gestão de áreas protegidas A Vale mantém em Linhares, no norte do Espírito Santo, uma das maiores áreas de Mata Atlântica protegida do país. Com 22 mil hectares, a Reserva Natural Vale está localizada em uma das áreas de extrema importância biológica para a conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica e integra o Sítio do Patrimônio Natural Mundial da Costa do Descobrimento. A Reserva foi formada a partir de um longo processo de aquisição de propriedades, iniciado pela empresa na década de 1950, tendo atingido os limites atuais em 1973. Neste ano foi realizada sua criação oficial como área destinada à proteção, compreendendo um bloco único composto por 103 propriedades. Além da conservação da biodiversidade, são desenvolvidas na Reserva várias pesquisas científicas que contribuem para o uso sustentável dos recursos naturais e para o melhor conhecimento da flora e da fauna da Mata Atlântica, incluindo a descoberta de novas espécies. A partir das pesquisas sobre a flora, por exemplo, foram descobertos na Reserva dois gêneros e 95 espécies botânicas que ainda não haviam sido catalogados pela ciência. Isso permite imaginar o quanto de vida a devastação imposta aos ecossistemas brasileiros extinguiu desde o descobrimento. Até o momento, já foram catalogadas para a Reserva aproximadamente 3.000 espécies botânicas, 1.460 morfoespécies de insetos, 179 espécies de aranhas, 26 espécies de peixes, 66 espécies de anfíbios, 69 espécies de répteis, 379 espécies de aves e 105 espécies de mamíferos. A riqueza de aves registrada na Reserva corresponde a mais de 20% das espécies observadas no Brasil e cerca de 5% de todas as aves do mundo. Hoje, a Reserva Natural Vale representa um banco genético e um centro de pesquisas respeitável e de reconhecimento internacional, mantendo pesquisas de longo prazo e coleções científicas de expressiva representatividade. A Reserva detém também um dos maiores viveiro de mudas de espécies nativas do Brasil. Sua capacidade de produção anual é de 3 milhões de unidades, de mais de 800 espécies tropicais, em sua maior parte nativas da Mata Atlântica. Estas mudas são empregadas na recuperação de áreas degradadas de projetos da Vale localizados na região sudeste do país e em programas de restauração ecológica de áreas consideradas de especial interesse para a conservação. Ao lado da Reserva Natural Vale está localizada a Reserva Biológica de Sooretama, uma unidade de conservação federal, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com mais de 24 mil hectares, esta Unidade de Conservação é protegida com o apoio da Vale, desde 1998, especialmente no que diz respeito à proteção contra caçadores e incêndios florestais. As duas reservas constituem o maior remanescente de Mata Atlântica protegido localizado ao norte do estado do Rio de Janeiro. Juntas, correspondem a aproximadamente 10% da área de Mata Atlântica remanescente no Espírito Santo, ganhando uma importância ainda maior no cenário ambiental brasileiro. No início do século passado, a Mata Atlântica cobria praticamente todo o Espírito Santo. Hoje, desta cobertura, restam apenas 11% no estado e cerca de 7% no país, estando dispersa em áreas fragmentadas e, muitas delas, sem qualquer proteção. Para manter sua finalidade de conservação e pesquisa, com ênfase no uso sustentado dos recursos naturais e no desenvolvimento de tecnologia para recuperação de áreas degradadas, foi desenvolvido para a Reserva Natural Vale, em 1998, um Plano Diretor de Uso, estando composto por programas que visam torná-la auto-sustentável. Uma das diretrizes do Plano Diretor foi a de abrir a reserva ao público. Antes só acessível a pesquisadores e pessoas convidadas pela empresa, desde 2000 a área está aberta à visitação para interessados em conhecer a deslumbrante Mata Atlântica e usufruir sua beleza, relaxar ao som de inúmeras aves e estabelecer um contato mais próximo com a natureza. A partir de sua significativa atuação no desenvolvimento de metodologias e tecnologias para uso sustentável dos recursos naturais; incentivo e apoio ao desenvolvimento de conhecimento científico sobre a Mata Atlântica; e realização de ações para proteção da Biodiversidade, a Reserva Natural Vale recebeu, em agosto de 2008, o título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Este título reforça a importância da Reserva para a conservação da flora e da fauna da Mata Atlântica, demonstrando também sua relevância enquanto um modelo de gestão para outras áreas destinadas à proteção da Biodiversidade. Conservação de Espécies A Reserva Natural Vale é reserva genética do jacarandá (a mais valiosa árvore do mundo), da macanaíba, da peroba-amarela, do paraju e de outras espécies importantes da flora tropical, como a castanha-do-pará, cuja preservação também é garantida pela implantação de um banco genético ex situ na Reserva. Além disso, desenvolve pesquisas com a fauna focadas no conhecimento da riqueza e diversidade de espécies e em aspectos ecológicos relacionados à conservação das espécies. Entre estas pesquisas com fauna, destaca-se o Projeto Felinos, que monitora desde 2005 as espécies de felinos presentes na reserva, por meio de armadilhas fotográficas. A partir desse projeto já foi possível identificar nove onças-pintadas na Reserva, que representam uma das últimas populações desta espécie de felino de grande porte na Mata Atlântica. Não há remanescente de Mata Atlântica tão bem cuidado e conhecido no Brasil como a Reserva Natural Vale. Sua existência torna-se ainda mais valiosa devido ao fato de estar localizada numa condição de relevo plano, ideal para exploração madeireira e agropecuária, que foram atividades de grande expressividade na região. Os pesquisadores nacionais e internacionais ficam surpresos quando chegam e percebem o nível de conservação e conhecimento da área. Os pesquisadores da Reserva desenvolvem tecnologia para recuperação de florestas e para proteção e recuperação das margens de corpos d'água (nascentes, córregos, rios e lagoas). Esta tecnologia de recuperação é difundida por todo o Brasil através da implantação de diversos projetos de restauração, não somente nas áreas mineradas pela Vale. No Espírito Santo, por exemplo, através de convênios com o governo do Estado, foram e estão sendo implantados projetos de restauração ecológica envolvendo propriedades rurais e Unidades de Conservação que receberam mudas produzidas no Viveiro da Reserva e assessoria técnica para recuperação de áreas que se encontram degradadas. Riqueza aberta à visitação O complexo reservado à visitação possui sete trilhas, com percursos que variam de 900 a 1.500 metros, apresentando diferentes atrativos. Em um grupo de, no máximo, 20 pessoas, a caminhada começa tendo à frente um orientador ambiental recrutado na própria região e treinado pelos profissionais da Reserva. A trilha mais visitada é a do Pequi-Vinagreiro, mas o visitante pode ainda conhecer a Trilha do Arboreto (coleção de árvores de diferentes espécies tropicais), a Trilha do Palmeto (coleção de palmeiras), a Trilha da Restauração da Mata Atlântica (onde se observa o processo de restauração ambiental), a Trilha do Reflorestamento com espécies de Mata Atlântica (exemplo de projeto para uso sustentável de recursos madeireiros a partir de florestas plantadas); a Trilha do Pomar de Frutas Tropicais (com mais de 100 espécies) e a Trilha de Produção de Mudas (Viveiro). Trata-se na realidade da prática da Educação Ambiental, ao vivo e em cores. Quem percorrer a Trilha do Pequi-Vinagreiro, por exemplo, vai ver e saber como vivem os cupins e quais são as espécies utilizadas na medicina popular encontradas na floresta. Já na Trilha do Palmeto, onde já existem plantadas mais de 250 diferentes espécies de palmeiras de várias partes do mundo, as pessoas poderão aprender sobre a lenda do fruto que chora, conhecido como açaí; as mil e uma utilidades do babaçu, conhecido como a mãe-de-leite dos maranhenses; e as deliciosas receitas culinárias feitas com o palmito-doce, entre muitas outras espécies que ocorrem em nosso país. Entretanto, se o interesse for ganhar dinheiro, siga a Trilha do Reflorestamento. Lá serão colhidas algumas informações preciosas como a de que o eucalipto e o pinus não são as únicas espécies próprias para reflorestamento. Evidencia-se ali a possibilidade de se usar o jequitibá-rosa para esse fim, onde um hectare, plantado com essa espécie, pode render, após 30 anos, até 60 mil dólares por hectare, ou seja, uma considerável poupança verde e aposentadoria. E não precisa ficar de pé. Em todas as trilhas existe um cantinho, versão ao ar livre de uma pequena sala de aula com 20 banquinhos devidamente abrigados do sol e da chuva. Para lazer e conforto de todos, a Reserva investiu em instalações de visitação e hospedagem. Na hora da fome, além de dois restaurantes com capacidade para servir até 300 refeições por dia, o visitante conta também com uma cafeteria. Para a criançada, nada melhor que um parquinho com brinquedos feitos à base de madeira de reflorestamento situado à sombra de cajueiros. Se você quiser conciliar trabalho e lazer, a Reserva oferece uma completa infra-estrutura para eventos, composta por: dois auditórios com capacidade para 74 e 172 pessoas, um centro de treinamento, estacionamento e enfermaria (primeiros socorros). Serviço A Reserva Natural Vale é aberta ao público de terça a domingo, das 08:30h às 16:30h. Contatos:
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